terça-feira, 22 de abril de 2008

Eu não presto.

Vide o último post, dependendo do referencial, eu não presto.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Teoria da Relatividade?

Não é porque eu tô fazendo Engenharia, TUDO depende de um referencial, TUDO é relativo. Trata-se de uma função dependente de idade, hora, lugar, país e marca de escova de dente preferida.

[ironia] Ainda bem que tenho uma assídua gastriste que nunca esquece de me avisar que estou viva! [/ironia]

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Mudança

Adiei o tanto que pude essa mudança de blog. Antes o Weblogger era melhor que o Blogger.com.br, mas atualmente o contador de visitas não funciona e a chance de você conseguir entrar no site (http://www.weblogger.com.br/) e ele estar funcionando é de 1 em 12,677. Tudo bem, estou achando o Blogger.com excelente, acima das expectativas!
Digo então para mim mesma: "Seja bem-vinda!", uma vez que esse é meu primeiro post de fato aqui. :)

P.S.: Os textos do dia 5 de Abril são os últimos textos relevantes do Aika Multaa Muistot.

sábado, 5 de abril de 2008

Janelas de plástico

O céu agora era verde e como antigamente, de tarde mudava de cor, mas ao invés de tornar-se lilás, rosa ou laranja, suas cores variavam entre verde musgo e verde limão. Para retirar carteira de motorista era preciso cantar uma música da Celine Dion sem desafinar o tom de voz. A Torre Eiffel era uma gigante casquinha de sorvete vazia. Os peixes praticavam fisiculturismo. Canetas bic eram molengas. Cotonetes eram fabricados com nuvens. O Didi era dono da Globo, o Tiririca apresentava o Jornal Nacional. A grama era roxa e grilos cantarolavam o Hino Nacional. Cavalos agora eram amarelos, verdes, vermelhos e azuis. As ruas e estradas seguiam trajetos em zig-zag. O algodão-doce era feito de NaCl. A aceleração da gravidade valia 7,6 m/s². Bicicletas voadoras eram o meio de locomoção predominante. Vaga-lumes piscavam cor-de-rosa. Árvores eram vermelhas. Gatos tinham cloroplastos. "Atchim!" era o novo bom-dia. Traje social completo era chinela, bermuda e regata. Zebras ao invés de listras tinham bolinhas pretas. A chuva saía do chão. Cogumelos eram guardas de trânsito e borboletas professoras de merengue. Mc Donald's era uma floricultura. Carrefour era uma marca de guarda-sol. Caminhões soltavam joaninhas pelo escapamento. O papa mudara-se para uma ilha deserta. O Presidente da República era um flamingo. Maçãs eram azul turquesa. A Muralha da China era uma imensa massa de pastel. Pipoca com antena era a comida típica regional. O quadro negro era alaranjado. Elevadores eram em forma de barquinho. Hippies foram viver em Atlântida. Caranguejos cantavam óperas. Escolas eram em forma de bateria. O esporte nacional era o plantio de jatobá. Azulejos tinham estampas de notas musicais. Onomatopéias era uma matéria que valia 40 pontos no vestibular. Piscadinhas significavam 'quero ir ao banheiro'. Caixas de correio ficavam dentro de balões. Folhas de papel conversavam. As leis civis eram escritas em rodapés de casas de João-de-Barro. Microfones eram guardados dentro de saunas. Dados tinham 13 faces. Pirâmides egípcias dançavam tango. Os pés das mesas eram em forma de pé de pato. Vacas eram donas de marcas de chiclete. Vestidos tinham aroma de abacaxi. Girafas eram líderes no mercado da construção civil. O sol além de brilhar azul, tocava sinfonias de Mozart e Beethoven. Cartolas coloridas eram peças do dia-a-dia. Frangos eram mordomos. Sapos tocavam piano. De vez em quando os prédios dançavam valsa. Em frente toda igreja havia um jardim de tulipas e no quintal de cada casa um pé de amora. Havia o feriado da estrela cadente e o cometa Harley morava em uma cidadezinha de interior. O semáforo era uma engenhoca com três bambolês, um rosa, um verde e um lilás. O asfalto era feito de algodão. Beija-flores eram carteiros. Placas de trânsito eram madrinhas de crianças. O leão ocupara o lugar do galo e passara a anunciar o novo dia. O petróleo agora era o recheio do Bubbaloo de tutti-frutti. O mertiolate exalava aroma de melancia. Alguns brincos e colares tinham pingentes em forma de mitocôndria. O palácio do governo era feito de glacê. Semente de girassol era a moeda vigente. Hipopótamos pintavam os quadros mais caros do mundo. Elefantes eram governadores estaduais. Algumas uvas eram cor-de-rosa, outras alaranjadas. Centopéias dirigiam o Teatro Municipal. As pessoas, bem, as pessoas já não eram as mesmas.

A TECNOLOGIA NOS FAZ MELHORES

O ensaísta que criou a revista Wired tem uma reflexão original para esse tema central da vida moderna. Para ele, cada nova ferramenta só cumpre seu papel ao ampliar nossas possibilidades de escolha. Neste ensaio, que servirá de embrião para seu novo livro, What Technology Wants (O que Quer a Tecnologia), Kelly analisa o significado da tecnologia para a existência humana

A palavra tecnologia sugere objetos. Coisas complexas e feitas de átomos. Locomotivas a vapor, telefones, computadores, substâncias químicas e chips de silício. Quando esse mundo de coisas começou a surgir, séculos atrás, encaramos o fenômeno como uma revolução material, embora todas as mudanças que trazia fossem, na verdade, causadas pelo desenvolvimento da capacidade de utilizar a energia de forma orientada. A magia do material estava no fato de conseguir conservar, transmitir ou exibir energia em pequenas quantidades no momento certo (sinais) ou em explosões sob demanda (quantidade de calor).

Esses objetos perderam recentemente parte de sua massa. Começamos a enxergá-los como ação. Hoje, o termo tecnologia sugere softwares, engenharia genética, realidade virtual, banda larga, formas de vigilância e inteligência artificial. Se uma dessas coisas caísse no seu pé, você não machucaria o dedão. A tecnologia tornou-se uma força. É um verbo, não mais um substantivo. Sua ação mostrou-se tão forte que, agora, percebemos a tecnologia como um superpoder e também como algo que sempre leva a culpa quando uma coisa dá errado. Na realidade, a tecnologia é matéria, é força e é muito mais. É tudo o que criamos: literatura, pintura, música. Bibliotecas são tecnologias. Como também o são os registros contábeis, a legislação civil, os calendários, as instituições, todas as ciências, bem como o arado, as roupas, os sistemas de saneamento, os exames médicos, os nomes de pessoas e o alfinete de segurança. Tudo o que nossa inteligência produz pode ser considerado tecnologia.

Parece estranho que um soneto de Shakespeare ou uma fuga de Bach sejam colocados no mesmo plano de coisas como a bomba nuclear ou o walkman? Mas, se 1 000 linhas de letras são uma tecnologia (como o código de uma página HTML, usado para veicular textos e imagens na internet), então 1 000 linhas de letras em inglês (Hamlet) também devem ser. Não é possível separar o que é tecnologia tanto no livro como no filme O Senhor dos Anéis. A versão literária do romance original é tão tecnológica, no sentido estrito da palavra, quanto a versão digital das criaturas e dos lugares fantásticos expostos na tela. Ambas são obras da imaginação humana. Ambas afetam o público de forma poderosa.

A tecnologia, portanto, pode ser considerada um tipo de pensamento - um pensamento expresso. Seria possível encarar o elaborado sistema legislativo que norteia as sociedades ocidentais como uma variedade de software. Trata-se de um código, um conjunto complexo de regras, mas que funciona com suporte no papel, não em um computador. Tanto o código do sistema legislativo quanto o de um software são manifestações do pensamento humano.

Muitas pessoas se perguntam como a tecnologia pode tornar o homem melhor. Simples: da mesma maneira que a tecnologia das leis torna os homens melhores. Um sistema legal nos mantém responsáveis, estimula o senso de justiça, contém impulsos indesejados, alimenta a confiança, e assim por diante. Há, contudo, leis boas e más, e alguns sistemas legislativos (tecnologias legais) são melhores do que outros. A resposta correta a uma má legislação não é ausência de legislação. É, sim, uma legislação melhor. A resposta correta a uma idéia ruim não é parar de pensar. É uma idéia melhor. A resposta correta a uma tecnologia ruim não é parar a tecnologia. É uma tecnologia melhor. Pelos meus cálculos, a soma total das tecnologias é igual à civilização. Civilização é tecnologia. Tecnologia é a obra cumulativa agregada da imaginação e da invenção humanas.

Mas qual é a contribuição que a tecnologia realmente nos dá? O avanço proporcionado por ela nem sempre é evidente e perceptível. Todo pensamento pode ser subvertido. Nesse sentido, toda tecnologia pode ser vítima de abusos. Além do mais, todas as soluções que a tecnologia oferece trazem também novos problemas. Mas é preciso observar que, em última instância, a tecnologia amplia as nossas possibilidades de escolha. Em geral, uma tecnologia apresenta aos seres humanos outra maneira de pensar sobre algo. Cada invenção permite outra forma de ver a vida. Cada ferramenta, material ou mídia adicional que inventamos oferece à humanidade uma nova maneira de expressar nossos sentimentos e outra forma de testar a verdade. À medida que novas maneiras de expressar a condição humana são criadas, amplia-se o conjunto de pessoas que podem encontrar seu lugar único no mundo.

A tecnologia nos proporciona escolhas. Assim, sua principal contribuição está expressa nas possibilidades, nas oportunidades e na diversidade de idéias. Sem ela, temos muito pouco disso. Nosso trabalho coletivo é substituir tecnologias que limitam nosso poder de escolha por aquelas que o ampliam. O telefone, por exemplo, é uma tecnologia que amplia continuamente as oportunidades - e fecha muito poucas. O DDT (composição química usada como inseticida) é uma tecnologia que abre importantes possibilidades, mas restringe algumas outras. A engenharia genética inaugura um vasto terreno de escolhas, mas seu potencial para restringir muitas outras é amplo e incerto.

A tecnologia pode tornar uma pessoa melhor? Sim, mas somente se oferecer a ela novas oportunidades. Oportunidade de obter excelência com a mistura única de talentos com que nasceu. Oportunidade de encontrar novas idéias e novas mentes. Oportunidade de ser diferente de seus pais. Oportunidade de criar algo. Serei o primeiro a acrescentar que, isoladas - sem nada em torno delas -, essas oportunidades são insuficientes para produzir a felicidade. A escolha funciona melhor quando há valores para guiá-la. De qualquer forma, considero que a tecnologia é necessária para o aprimoramento humano, da mesma maneira que a civilização. O mundo da tecnologia e a civilização são a mesma coisa.

Um subconjunto especial de seres humanos pensa de forma diferente. Avista o caminho para o aprimoramento no conjunto limitado de opções existente, digamos, na cela de um mosteiro, na caverna de um ermitão ou nas possibilidades deliberadamente restritas de um guru errante. Mas a maioria das pessoas, em quase todos os momentos na história, vê o estoque acumulado de possibilidades em uma civilização como algo que as torna melhores. É por essa razão que fundamos a civilização/tecnologia. É por essa razão que temos cidades e bibliotecas. Elas produzem escolhas. Essa é a grande contribuição da tecnologia: abrir possibilidades - em montanhas sempre maiores de diversidade. Como a própria vida biológica (apesar de seus muitos horrores), acredito que a criação de novas possibilidades representa um bem inequívoco para todos nós.


* Kevin Kelly, um dos fundadores da revista Wired, escreveu vários livros sobre tecnologia, entre eles Novas Regras para uma Nova Economia, publicado em português. Este ensaio foi publicado originalmente em seu blog para discussão pública antes de aparecer em forma de livro.

Sua mãe não lhe ensinou que mentir é feio?

Talvez esteja escrito somewhere over the rainbow em algum livro sagrado que nós devemos perdoar não sete vezes nem setenta vezes e sim setenta vezes sete, mas não dou conta. Posso tentar, dizer que tá tudo bem, 'de boa', mas simplesmente não dou conta. U know, man... I can't stand lies. Sua mãe não lhe ensinou que mentir é feio? Todo mundo já mentiu alguma vez na vida, já menti e você também. Às vezes a gente nem mente, apenas maquia uma informação ou esconde a verdade. Bem, acho que o problema esteja no fato de eu confiar, acreditar sempre nas pessoas e uma hora as pessoas fazerem uso disso. E quando descubro, aí já é tarde demais, porque perde a graça, sabe?
Acho que escorri pelo ralo. Acho que o vento me levou. Acho que a chuva me desintegrou. Acho que o calor me derreteu. Acho que a escuridão me escondeu. Acho que a luz me desfocou. Acho que o som me ensurdeceu. Acho que o silêncio me calou. Acho que a borracha me apagou. Acho que a caneta me rabiscou. Acho que a lei me proibiu. Aproximadamente 18% da memória está sendo utilizada.

Do verbo querer

Hoje eu queria que o mundo fosse uma marionete controlada por mim e que ao virar a esquina eu enterrasse o pé na areia da praia mais bonita do Sri Lanka. Queria pegar uma asinha do Super Mario World, voar pra bem longe e ficar sentada na paineira mais alta do mundo. Queria que chovesse pipoca. Queria entrar numa música e dançar tango com uma clave de sol. Queria abrir uma caixa de presente, entrar dentro dela e cair no laguinho onde as renas do Papel Noel vão beber água. Queria estourar uma bola de basquete e que lá de dentro saíssem borboletas afeganistãs sorridentes e saudáveis. Queria um tabuleiro gigante de Resta Um. Queria comprar um balão que me levasse pra Arábia Saudita. Queria vomitar uma música do Vivaldi. Queria abraçar o Taj Mahal. Queria entrar no Céu de uma Amarelinha gigante. Queria dar uma laço nas cordas vocais da Cher. Queria criar lagostas verdes. Hoje eu quis mais do que um risquinho na vertical e outro na horizontal.