Muito mais do que as chamadas bases da sociedade (igreja, Estado, família...), o que nos mantém firmes são as certezas. Como uma questão de esperar que tudo saia de acordo com o esperado, nossos pontos de equilíbrio são aquelas idéias que temos como fato imutável, inalterável, inabalável. O que inevitavelmente nos remete à idéia de que ‘quem não espera, não se decepciona’, porque quando esse porto-seguro sucumbe no meio da areia, a sensação de desnorteio é muito grande.
Perder uma certeza é um pé no saco. É aquela feridinha que arde, mas você continua cutucando e a dorzinha está sempre ali lhe incomodando. É como ficar horas olhando pro horizonte, meio que pensando em nada, meio que pensando ‘e agora?’.
Queremos sempre estar certos. De que você vai passar e não vai cair de período, de que seu marido não lhe chifrará, de que você terá um futuro próspero e feliz propaganda-de-margarina lifestyle, de que você formará e ganhará dinheiro, de que aquela pessoa querida que está doente vai melhorar e tudo voltará a ser como era antes, de que vai dar pra chegar à tempo, de que você vai conseguir emagrecer, de que ninguém descobrirá aquele seu segredinho embaraçoso, de que não lhe abandonarão quando você mais precisar, de que algumas pessoas se importam com você e lhe acham legal, de que sua mãe lhe ama e lhe acha bonito (porque se nem ela acha isso, DESISTE!).
Ficar sempre esperando o pior também não dá. Partindo dessa premissa ninguém faz nada. “Ah, se não vai dar certo, vou nem tentar!”. As mesmas certezas que vão embora sem falar tchau são as mesmas que nos motivam a seguir em frente.
E a gente fica assim... vivendo e esperando – sempre esperando... - não ter acordado com o pé esquerdo. (De onde tiraram essa expressão?)
sexta-feira, 6 de junho de 2008
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1 comentários:
Todo mundo fala que não se deve ter expectativas pra não se frustrar. Pois eu acho mesmo é que quem se frustra é porque não tem expectativas em relação a nada: vira apatia.
Né não?
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